Sexta-feira, 21 de Outubro de 2005

- Apoie Manuel Alegre

 



Se nos move o amor a Portugal, se nos motivam os valores da esquerda, votar Manuel Alegre para a presidência é o voto certo... Toda a esquerda se devia unir em torno deste candidato... o único que pode derrotar o candidato da direita, vamos mostrar abertamente aos partidos que a escolha de voto cabe apenas a nós.


Sonho Alentejano




 






QUASE UM AUTO-RETRATO

Por Manuel Alegre


Aos vinte e poucos anos escrevi: “meu poema rimou com a minha vida”. Era ainda muito cedo, não sei sequer se é verdade, embora muitas coisas me tivessem já acontecido: amores, partidas, guerra, revoltas, “prisões baixas”. O que mais tarde me levaria a dizer: “biografia a mais”. Muito antes, lá pelos vinte, tinha lido uma frase de André Gide que me impressionou. Dizia ele:“ a análise psicológica deixou de me interessar desde o dia em que cheguei à conclusão de que cada um é o que imagina que é.” Até que ponto sou o que me imaginei ser? Se soubesse pintar ( mas não sei ) faria o meu auto-retrato a olhar para ontem, ou para dentro, ou para outro lado. Distraído-concentrado, presente-ausente, um não sei quê.

Acusam-me de altivez e narcisismo. É sobretudo reserva, timidez e uma incapacidade física de praticar uma certa forma portuguesa de hipocrisia e compadrio. Ou talvez um tique que herdei de família: levantar a cabeça, olhar a direito.

Tenho desde pequeno a obsessão da morte. Não o medo, mas a consciência aguda e permanente, sentida e vivida com todo o meu ser, de que tudo é transitório e efémero e não há outra eternidade senão a do momento que passa. Talvez por isso seja um homem de paixões. Mas não vivi nunca póstumo, nem me construí literariamente. Sei que nenhum verso vence a morte. E não acredito sequer na literatura.

Na poesia, sim. Mas como ritmo, como música interior, canto e encanto, incantação, exorcismo, uma forma de relação mágica com o mundo. A um professor brasileiro que trabalhava numa tese sobre mim, respondi: “Escrita e vida são inseparáveis. Embora eu entenda a poesia como experiência mágica, algo que está aquém e além da literatura.”

Penso, como Texeira de Pascoais, que “o ritmo é a substância das cousas” e que “a poesia nasceu da dança.” Talvez por isso eu goste de flamenco, a música e a dança que estão mais perto do ritmo primordial, da batida do coração e da própria pulsação da terra. Gosto de flamenco e de um certo tipo de fado e dos tangos de Francisco Canaro. E também de Bach e Mozart. Pelas mesmas razões: o ritmo. E da poesia de Lorca que, ao contrário de ideias feitas, nada tem de folclórico ou regionalista, antes se aproxima das energias primitivas e essenciais e é quase, como diria ainda o autor de Marânus, “um bailado de palavras.”

Não sei se, como queria Rimbaud, consegui fazer “coincidir a essência da poesia com a existência do poema.” Cantei, canto. Demanda, errância. Não há senão esse procurar. Na vida, na escrita. Quando faço aquilo de que gosto, faço-o intensamente. A pesca, por exemplo. Ou a viagem. Ou a partilha: um bom jantar em família com alguns amigos, uma reunião conspirativa, a camaradagem na nunca perdida ilusão de que a revolução ainda é necessária e possível. Diria que é outra forma de escrita. Intensa, densa, tensa. Como o amor. E talvez a morte.

Herdei de minha mãe uma certa energia, o gosto da intervenção. De meu pai, o desprendimento, uma irresistível e por vezes perigosa tendência para o desinteresse. Inclusivamente pelos bens materiais. Não é por acaso que só me prendo realmente ao que poderia chamar as minhas armas: espingardas propriamente ditas, “gostei muito de caçar”, canas de pesca, carretos, canetas, livros ( alguns livros ), discos. Os grandes espaços: o deserto, o Atlântico, o Alentejo. E sítios. Certas cidades. Outrora agora: Coimbra, Paris, Roma, Veneza, Lisboa. Certos lugares: o Largo do Botaréu, em Águeda, o rio, a ria ( de Aveiro ), Barra, Costa Nova. Mais recentemente: Foz do Arelho, Barragem de Santa Clara. Certos recantos: a minha casa de Águeda, o solar, já perdido, da minha avó, em S. Pedro do Sul, as casas da minha tia e meus primos na Anadia, a casa de Sophia, a minha casa em Lisboa. A minha mulher, os meus filhos, a minha irmã, os meus amigos. Uma grande saudade dos que morreram, principalmente de meu pai, a quem, por pudor e reserva (somos parecidos), nunca cheguei a dizer em vida o que gostaria de lhe dizer aqui.




BIOGRAFIA DE MANUEL ALEGRE


Manuel Alegre de Melo Duarte nasceu a 12 de Maio de 1936 em Águeda. Estudou Direito na Universidade de Coimbra, onde foi um activo dirigente estudantil. Apoiou a candidatura do General Humberto Delgado. Foi fundador do CITAC – Centro de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra, membro do TEUC – Teatro de Estudantes da Universidade de Coimbra, campeão nacional de natação e atleta internacional da Associação Académica de Coimbra. Dirigiu o jornal A Briosa, foi redactor da revista Vértice e colaborador de Via Latina.

A sua tomada de posição sobre a ditadura e a guerra colonial levam o regime de Salazar a chamá-lo para o serviço militar em 1961, sendo colocado nos Açores, onde tenta uma ocupação da ilha, com Melo Antunes. Em 1962 é mobilizado para Angola, onde dirige uma tentativa pioneira de revolta militar. É preso pela PIDE em Luanda, em 1963, durante 6 meses. Na cadeia conhece escritores angolanos como Luandino Vieira, António Jacinto e António Cardoso. Colocado com residência fixa em Coimbra, acaba por passar à clandestinidade e sair para o exílio em 1964.

Passa dez anos exilado em Argel, onde é dirigente da Frente Patriótica de Libertação Nacional. Aos microfones da emissora A Voz da Liberdade, a sua voz converte-se num símbolo de resistência e liberdade. Entretanto, os seus dois primeiros livros, Praça da Canção (1965) e O Canto e as Armas (1967) são apreendidos pela censura, mas passam de mão em mão em cópias clandestinas, manuscritas ou dactilografadas. Poemas seus, cantados por Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira, tornam-se emblemáticos da luta pela liberdade. Regressa finalmente a Portugal em 2 de Maio de 1974, dias após o 25 de Abril.

Entra no Partido Socialista onde, ao lado de Mário Soares, promove as grandes mobilizações populares que permitem a consolidação da democracia e a aprovação da Constituição de 1976, de cujo preâmbulo é redactor.

Deputado por Coimbra em todas as eleições desde 1975 até 2002 e por Lisboa a partir de 2002, participa esporadicamente no I Governo Constitucional de Mário Soares. Dirigente histórico do PS desde 1974, é Vice-Presidente da Assembleia da República desde 1995 e é membro do Conselho de Estado (de 1996 e 2002 e de novo em 2005). É candidato a Secretário-geral do PS em 2004, naquele que foi o mais participado Congresso partidário de sempre.

É sócio correspondente da Classe de Letras da Academia das Ciências eleito em Março de 2005.

Sobre a sua obra poética, reeditada sucessivas vezes, Eduardo Lourenço afirmou que “sugere espontaneamente aos ouvidos (...) a forma, entre todas arquétipa, da viagem, do viajante ou, talvez melhor, peregrinante”. O livro Senhora das Tempestades (14.000 exemplares vendidos num mês) inclui o poema com o mesmo nome, que Vítor Manuel Aguiar e Silva considerou “uma das mais belas odes escritas na língua portuguesa”. Publicou os romances Alma (12 edições) e A Terceira Rosa, duplamente premiado. Segundo Paola Mildonian, Manuel Alegre “canta a dor e o amor da história com acentos universais, com uma linguagem que (...) recupera em cada sílaba os quase três milénios da poesia ocidental”. No Livro do Português Errante, Manuel Alegre, segundo Paula Morão, emociona e desassossega: “depõe nas nossas mãos frágeis as palavras, rosto do mundo, faz de nós portugueses errantes e deixa-nos o dom maior (...) – os seus poemas”. O seu livro, Cão como nós, vai na 15ª edição.




Principais condecorações e medalhas

Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, Comenda da Ordem de Isabel, a Católica e Medalha de Mérito do Conselho da Europa, de que é Membro Honorário.

Medalha da Cidade de Veneza, por ocasião do Convénio Internacional “La Porta d’Oriente – Viaggi e Poesia” (Novembro de 1999).



Estudos e teses sobre a sua obra

A obra literária de Manuel Alegre tem sido objecto de estudos e teses de doutoramento e mestrado, designadamente nas seguintes instituições:

Université Libre de Bruxelles

Istituto Universitario Orientale, Napoli

Università di Bologna

Università Cà Foscari, Veneza

Université Charles de Gaulle, Lille

Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

Faculdade de Letras da Universidade Católica de Viseu

Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Nova de Lisboa

Departamento de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro


Faculté des Lettres, Arts et Sciences Humaines de Nice - Sophia Antipolis



Prémios literários

1998 - Prémio de Literatura Infantil António Botto, pelo livro As Naus de Verde Pinho

1998 - Prémio da Crítica Literária atribuído pela Secção Portuguesa da Associação Internacional de Críticos Literários, pelo livro Senhora das Tempestades

1998 - Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, patrocinado pelos CTT, pelo livro Senhora das Tempestades

1999 - Prémio Pessoa, patrocinado pelo jornal Expresso e importante referência no panorama cultural português, pelo conjunto da Obra Poética, editada em 1999

1999 - Prémio Fernando Namora, patrocinado pela Sociedade Estoril-Sol, pelo livro A Terceira Rosa



Manuel Alegre

 

Sonho Alentejano editou às 13:57
link do post | comentar | favorito
|
4 comentários:
De Anónimo a 8 de Novembro de 2005 às 23:41
Vemos por este meio informar da existência do Blog Oficial da Candidatura de Manuel Alegre - Algarve Jovem, com o seguinte endereço:
http://alegrepresidente-algarvejovem.blogspot.com/

Este Blog pretende ser um espaço de intervenção e apoio dos jovens algarvios ao candidato à Presidente da República, MANUEL ALEGRE. Pretende-se dar a conhecer todas as iniciativas da Candidatura de Manuel Alegre no Algarve, mais propriamente direccionada para a Juventude, bem como proporcionar um espaço de troca de opiniões e ideias que poderão ser úteis à Candidatura de Manuel Alegre.

Aguardamos os seus comentários e opiniões.

A Candidatura de Manuel Alegre - Algarve JovemCandidatura Manuel Alegre Algarve Jovem
(http://alegrepresidente-algarvejovem.blogspot.com/)
(mailto:malegre_algarvejovem@sapo.pt)


De Anónimo a 27 de Outubro de 2005 às 02:17
Mais uma visita ao blog...
Gostei!
O meu voto para Manuel Alegre!maria Serafina Valadas
</a>
(mailto:maria.valadas@hotmail.com)


De Anónimo a 22 de Outubro de 2005 às 16:39
Acabei a visita ao blog e francamente gostei.Quanto ao apoio a Manuel Alegre, de há muito que ele conta com o meu.
Luis MariaLuis Marques Ferreira
</a>
(mailto:luismariajose@yahoo.co.uk)


De Anónimo a 21 de Outubro de 2005 às 22:45
Boas palavras as tuas. Que a esperança não feneça. Bom fim de semana. lumife
(http://bxalentejo.blogspot.com)
(mailto:lumife@sapo.pt)


Comentar post

Novembro 2010

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30


Defendendo Olivença

Em defesa do português Oliventino
Olivença back to Portugal

Pesquisar no blog

 

Arquivos Recentes

Sobre o Alentejo...

De volta à juventude

Ele há coisas...

Feliz Natal e próspero An...

Função Pública...

Azinheira, a árvore que m...

Tás cos copos

Não tem preço...

5ª Festa do Barão

Participamos da greve ger...

Arquivos

Novembro 2010

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Outubro 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Setembro 2006

Julho 2006

Junho 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Nossos Sites
Nossos sites & Blogs
Miguel & Sylvia
Homepage de Miguel Roque
Orgulho de ser Alentejano
Liberdade cristã

Nossos Blogues
Tuga & Zuca
Filhos & Netos
Caminho de Fé
Busca primeiro o Reino
Liberdade Cristã (blog)
Viver Livremente
Alentejo Abandonado
Meu Alentejo amado
Sonho Alentejano
Povo Lusitano
Amizade, Portuga-Galiza
Aqui fala-se português
Península Ibérica
Península Ibérica-ZipNet
Republica, sim…
Independência em perigo
EU, acredito em Portugal
Portugal Ressuscitado
A Bandeira Vermelha
Bandiera Rossa
A voz do proletário
Olivença é Portuguesa
Jornal de Olivença
No meio do inimigo
Sylvinha em Portugal
Sub-blog do tapete
Vira útil
Chiquinha e nós

Nossos Grupos
Olivença é Portuguesa (msn)
Por Olivença (Orkut)
Por Olivença (Gazzag)
Viver Livremente (Yahoo)
Liberdade Cristã (Yahoo)
Liberdade Cristã (Gazzag)
Liberdade Cristã (Orkut)

Blogues amigos

Beja
Baixo Alentejo
Poeticus
Um bolíndri na tarrafa

Estou no...



Estou no Blog.com.pt
blogs SAPO

subscrever feeds

tags

todas as tags